Exposição no Colégio Bibiana Bitencourt destaca impacto de mulheres cientistas em Guarapuava
Projeto em rede, com participação da Unicentro, aproxima jovens do universo científico

Nessa sexta-feira (10 de abril de 2026), o Colégio Estadual Bibiana Bitencourt de Guarapuava recebeu atividades da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, evento que conta com o apoio da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). A programação incluiu a exposição “Mulheres Cientistas: Pesquisas de Impacto Social e Ambiental”, que apresenta produções voltadas à valorização da trajetória e das contribuições de mulheres na ciência, especialmente em pesquisas com impacto social e ambiental.
A ação integra um projeto em rede, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e vinculado ao Napi Paraná Faz Ciência, da Fundação Araucária, envolvendo universidades estaduais do Paraná. A proposta busca despertar o interesse das estudantes pela ciência, especialmente por meio de referências femininas na área.
No Colégio Bibiana Bitencourt, a iniciativa se concretiza por meio de um clube de ciências formado por meninas, coordenado pelo Departamento de Biologia da Unicentro, em parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). De acordo com a professora Bettina Heerdt, responsável pelo grupo, a experiência vai além da sala de aula. “As estudantes visitam a universidade, conhecem pesquisadoras da Unicentro e, a partir dessas vivências, reconstroem as histórias dessas mulheres e compartilham esse conhecimento. É um trabalho de pesquisa aliado à divulgação científica”, explica.
O material apresentado na exposição incluiu fotografias, obras artísticas, contos científicos e conteúdos desenvolvidos pelas próprias alunas participantes do projeto. A iniciativa começou em 2025 no colégio e apresenta resultados já perceptíveis no engajamento das alunas. De acordo com a professora da UEPG, Leila Inês Follmann Freire, coordenadora do projeto, o contato direto com a universidade tem contribuído para ampliar a compreensão sobre o que é fazer ciência. “Elas começam a entender o que é esse fazer pesquisa e a ver que elas também podem fazer”, afirma.
Na avaliação da professora, um dos principais impactos é a identificação das estudantes com as trajetórias das pesquisadoras. “Quando você conversa com uma pesquisadora, percebe que as mulheres enfrentam desafios muito parecidos e, muitas vezes, têm origens semelhantes. Isso faz com que as meninas se identifiquem. Hoje, o que mais observamos nas escolas é justamente esse movimento de identificação acontecendo”.
Para as alunas, a participação no projeto representa novas descobertas e oportunidades. A estudante Joana Vitória Giorsi, de 15 anos, destaca o interesse pela área. “Eu queria aprender mais sobre as cientistas e pretendo ser uma no futuro”. Ao longo das atividades, ela vivenciou experiências como visitas à universidade e participação em eventos científicos. “É muito legal porque você conhece um mundo que talvez nunca conheceria. A gente percebe que a ciência está em tudo”, relata.
Para o diretor do colégio, Leocir Bettiollo Junior, a parceria com as universidades é fundamental para ampliar as perspectivas dos estudantes. “Projetos como esse mostram que a ciência pode ser um caminho de transformação. Quando as meninas entendem que podem construir uma carreira nessa área, isso abre novas possibilidades de vida”. Ele também enfatiza a importância de incentivar a presença feminina em áreas historicamente dominadas por homens. “É um movimento necessário e muito positivo para a sociedade”, completa.
Espetáculo une arte e ciência
A programação do Colégio Bibiana Bitencourt também incluiu a apresentação da peça “A que faz”, encenada pelo Grupo de Teatro Científico da UEPG. O espetáculo utiliza a linguagem teatral para aproximar o público jovem do universo da ciência, acompanhando a jornada de uma estudante em fase de escolhas sobre o futuro.
Segundo a professora Leila, a proposta da peça está diretamente conectada ao projeto desenvolvido nas escolas. “Essa peça, em especial, foi produzida a partir das histórias de mulheres cientistas de Ponta Grossa. Nós falamos da perspectiva de fazer ciência sendo mulher, e dos sonhos de uma menina que está em dúvida do que quer fazer na vida”.
(Por Poliana Kovalyk)
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