ORGULHO E EXEMPLO: Guarapuava valoriza quem é de casa

*Por Rogério Thomas

26/04/2026 14H10

Imagem gerada com Inteligência Artificial

* Por Rogério Thomas

A decisão pode parecer simples à primeira vista, mas carrega um simbolismo poderoso, e raro, na gestão cultural contemporânea. Ao optar por uma programação inteiramente composta por artistas locais na Festa do Trabalhador, celebrada em 1º de maio, a Prefeitura de Guarapuava, sob a liderança do prefeito Denilson Baitala, faz mais do que organizar um evento: estabelece uma diretriz clara de valorização da identidade cultural da cidade.

Em tempos em que muitos municípios apostam quase exclusivamente em grandes nomes nacionais para atrair público, Guarapuava segue um caminho mais estratégico, e, sobretudo, mais coerente com a construção de uma política cultural sustentável. A escolha não ignora a importância dos artistas de projeção nacional, mas os reposiciona dentro do calendário festivo: eles permanecem como protagonistas em momentos específicos, como o aniversário da cidade e a tradicional Festa Nacional do Malte, eventos já consolidados e com forte apelo turístico.

Ao reservar o Dia do Trabalhador para os talentos da terra, a gestão municipal promove uma inversão de lógica. Em vez de tratar artistas locais como coadjuvantes, coloca-os no centro do palco, literalmente. É um gesto que dialoga com pertencimento, reconhecimento e incentivo econômico, já que movimenta a cadeia produtiva cultural da própria cidade.

Não se trata apenas de abrir espaço. Trata-se de reconhecer o valor de quem constrói, diariamente, a identidade cultural de Guarapuava. Músicos, intérpretes, bandas e produtores locais carregam, em seus repertórios e trajetórias, a expressão genuína da comunidade. Ignorá-los em eventos públicos seria, em certa medida, negligenciar a própria alma da cidade.

A iniciativa também revela um entendimento mais amplo por parte do prefeito Denilson Baitala sobre o papel da cultura na gestão pública. Cultura não é apenas entretenimento, é desenvolvimento, é economia criativa, é formação de público e, acima de tudo, é identidade. Ao fortalecer o setor local de forma contínua, e não apenas pontual, a administração contribui para a profissionalização dos artistas e para a criação de um ecossistema cultural mais sólido.

Há, ainda, um aspecto pedagógico na decisão. Ao prestigiar artistas locais em um evento de grande visibilidade popular, a Prefeitura ajuda a formar um público mais atento e conectado com sua própria produção cultural. É um investimento que retorna em forma de engajamento, orgulho coletivo e valorização das raízes.

A escolha para o 1º de maio, portanto, vai além da programação festiva. Ela sinaliza uma política cultural que entende prioridades, respeita contextos e distribui oportunidades de forma mais equilibrada. Guarapuava, nesse movimento, reafirma que reconhecer seus próprios talentos não é apenas uma opção administrativa, é uma afirmação de identidade.

E, nesse ponto, a gestão municipal acerta em cheio.

Rogério Thomas

Formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) em Comunicação Social - Bacharelado em Jornalismo. Já correu esse mundão de Deus, mas ainda não viu de tudo.

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