Unicentro leva atendimento de saúde a motoristas de caminhão na Cooperativa Agrária

Ação do curso de Enfermagem oferece exames, orientações e vacinação gratuita

28/04/2026 15H47

Motoristas de caminhão que passam pela Cooperativa Agrária Agroindustrial estão recebendo atendimento de saúde gratuito por meio de uma ação desenvolvida por acadêmicos da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). As atividades começaram na última segunda-feira (27 de abril de 2026) e seguem nesta terça-feira-feira, no pátio da unidade de Guarapuava. Na quarta-feira (29), a programação continua em Entre Rios, na Colônia Vitória.

A iniciativa faz parte da disciplina de Saúde Coletiva, do quarto ano do curso de Enfermagem, e integra a proposta de curricularização da extensão, que aproxima os estudantes das demandas reais da população.

De acordo com a professora Tatiane Baratieri, responsável pela ação, o foco é um público historicamente vulnerável no acesso à saúde. “Os caminhoneiros autônomos são trabalhadores que, muitas vezes, não têm acompanhamento periódico, plano de saúde ou acesso facilitado a consultas e exames. A proposta foi justamente selecionar um grupo com maior necessidade de atenção e desenvolver uma abordagem completa, voltada à saúde do trabalhador”, explica.

A programação inclui aferição de pressão arterial, teste de glicemia capilar, aplicação de questionários de rastreamento e orientações personalizadas. Entre os temas abordados estão risco cardiovascular, prevenção do diabetes, uso correto de medicamentos, saúde mental, qualidade do sono e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Também são distribuídos materiais educativos e kits de prevenção, além da oferta da vacina contra a influenza.

Outro diferencial da ação é a adaptação das orientações à rotina dos caminhoneiros. “Pensamos em estratégias que realmente façam sentido para quem vive na estrada, como sugestões de alimentação possível nos pontos de parada e atividades físicas que podem ser feitas dentro ou fora do caminhão”, destaca a professora.

Para o supervisor de logística da cooperativa, Bruno Nunes Smuczek, a iniciativa tem impacto direto não apenas na saúde dos trabalhadores, mas também na segurança nas rodovias. “É uma classe muito importante para o país e, ao mesmo tempo, pouco assistida. Eles passam muito tempo sozinhos, vivem sob tensão, com alimentação pouco adequada. Esse acompanhamento é fundamental para que se sintam valorizados e, ao mesmo tempo, isso contribui para um trânsito mais seguro”, avalia.

Para os acadêmicos, a experiência também é um momento essencial de formação, conforme apontou a estudante Kamili Rafaeli Gomes. “Para nós, é a oportunidade de colocar em prática todo o conhecimento que construímos ao longo do curso, percebendo, na realidade, o impacto disso na vida das pessoas”, afirma.

Ela reforça que esse contato direto com a comunidade contribui para a formação de profissionais mais preparados e sensíveis às diferentes realidades. “A gente atua tanto na prevenção quanto na promoção da saúde, identificando fatores de risco e orientando sobre hábitos mais saudáveis. É uma população que muitas vezes não consegue acessar os serviços de saúde, e estar aqui faz a gente perceber o quanto esse cuidado é necessário”, completa.

(Por Poliana Kovalyk)


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