O drama de João Muniz, que encontrou o corpo do filho no IML em Curitiba

Rapaz era o motorista desaparecido de Pitanga. Causa pode ser assassinato

17/04/2016 10H08

O pai João Muniz, antes de achar o corpo, fazendo apelos para que encontrassem o filho. Há dois anos ele perdeu outro filho, em acidente de carro. A foto foi um "selfie" de Muniz Filho com o caminhão-baú da CooperaSeara que ele transportou até Registro (SP) e, desde então, nunca mais foi visto em vida. Polícia investiga como ele foi parar em Curitiba, onde o corpo foi reconhecido pelos familiares no Instituto Médico Legal (IML)

 

Por duas vezes, a vida pregou uma peça em João Muniz, um senhor já de idade, trabalhador, morador de Pitanga. Há dois anos, ele perdeu um filho, vítima de acidente, e agora, há 15 dias, começou novamente a viver uma angústia, procurando outro filho, João Muniz Filho, motorista de caminhão, que desapareceu depois de levar uma carga de Maringá a Registro, divisa de São Paulo com o Paraná. Na noite desta sexta-feira, o que o pai menos esperava, aconteceu; a Polícia chamou a família ao IML de Curitiba para reconhecer um corpo, que, por motivos ainda desconhecidos, era o de Muniz Filho. Ele tinha marcas de tiros.

O drama da Família Muniz começou quando o filho foi chamado por uma transportadora com base em Ponta Grossa para fazer a viagem a Registro. O baú com carga pertence à empresa CooperSeara, que tem sede na cidade de Seara, Santa Catarina. Tudo transcorria bem, até que o motorista ligou para os pais da cidade paulista avisando que tinha um problema mecânico no caminhão e que estava retornando a Pitanga.

HISTÓRIA ESTRANHA – A família esperou por longos dias o retorno do filho, sem nenhuma solução. Segundo o pai João Muniz, o contato inicial dos familiares com a empresa foi por telefone, uma mulher, que seria a intermediária do acordo da viagem, ligou de Ponta Grossa comunicando que havia enviado dinheiro para o motorista. Outra ligação da mulher veio da Colônia Vitória, distrito de Entre Rios, em Guarapuava.

O pai foi informado que um policial-rodoviário estava conduzindo João Muniz Filho da estrada onde o caminhão estragou até a rodoviária de Registro. O pai estranho. Não é comum a Polícia Rodoviária fazer esse serviço. "Eles prendem se tiver que prender, ou chamam o Samu quando está morto ou acidentado", disse João Muniz, desconsolado, ao repórter Jonei Farias, do "Blog do Elói".

Familiares tentaram vários ligações para o telefone de Muniz Filho. Uma vez atendeu um homem, que desligou. Nas seguintes, o celular dava como fora de área.

O corpo do motorista está sendo sepultado neste domingo em Pitanga. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a causa da morte. Segundo o pai, Muniz Filho era um jovem trabalhador e nunca teve problemas assim. 


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